A disfunção erétil (DE) é uma das queixas mais frequentes no consultório. Entretanto, uma das maiores armadilhas no seu atendimento é concentrar toda a atenção na ereção e esquecer o homem que está por trás dela.
Não raramente, o paciente procura uma solução rápida: um medicamento que devolva a capacidade de ereção. Embora esses recursos tenham um papel importante, eles não podem substituir uma avaliação clínica cuidadosa.
Tratar apenas o sintoma pode significar perder uma oportunidade valiosa de diagnosticar doenças sistêmicas potencialmente graves.
Imagine um homem acima dos 40 anos, hipertenso, obeso e sedentário. Há mais de um ano ele percebe uma perda progressiva da qualidade das ereções: primeiro dificuldade para mantê-las e, mais recentemente, até para obtê-las. Durante a consulta, apresenta exames laboratoriais realizados meses antes, todos alterados, mas admite que nunca retornou ao médico que os solicitou.
Qual deve ser a prioridade? Certamente não é apenas prescrever um facilitador da ereção.
Esse paciente necessita, antes de tudo, de uma investigação e de um tratamento adequado das doenças de base. Hipertensão arterial, obesidade, diabetes, dislipidemia e sedentarismo comprometem a saúde vascular e podem estar relacionados tanto à disfunção erétil quanto ao aumento do risco cardiovascular.
Em alguns homens, a disfunção erétil pode representar o primeiro sinal clínico de um comprometimento vascular mais amplo. Isso não significa que todo homem com DE desenvolverá um infarto ou um acidente vascular cerebral. Significa, sim, que essa queixa merece ser encarada como uma oportunidade para avaliar a saúde global do paciente e atuar preventivamente.
Por outro lado, nem toda disfunção erétil tem origem vascular. Muitos homens apresentam dificuldades relacionadas à ansiedade de desempenho, conflitos conjugais, depressão, uso de medicamentos ou outras causas psicológicas e relacionais. É justamente por isso que ouvir atentamente a história clínica continua sendo o instrumento diagnóstico mais importante.
Quando atendo um paciente com disfunção erétil, minha primeira pergunta não é apenas:
“Como fazer essa ereção voltar?”
A pergunta mais importante é:
“Por que ela está falhando?”
É essa resposta que define o melhor tratamento.
Como médico e terapeuta sexual, acredito que nosso compromisso não é produzir ereções, mas promover saúde. A ereção pode ser apenas a ponta do iceberg. O verdadeiro desafio é identificar aquilo que está oculto abaixo da superfície.
Por isso, recuso-me a exercer apenas o papel de um “eretologista”.
Meu compromisso é compreender as causas da disfunção erétil e cuidar da pessoa em sua integralidade.
Porque, muitas vezes, salvar a saúde do homem é muito mais importante do que simplesmente devolver-lhe uma ereção.










